Monday, 26 March 2012

Swing... Troca de Casais...


O que realmente acontece na troca de casais?



"Tenho o espírito livre, acho que ninguém é de ninguém e swing é fantasia, nada a ver com sentimentalismo. Para mim não existe prazer maior do que ver uma mulher fazendo sexo oral no meu parceiro, é um tesão louco!” F tem 45 anos e trabalha como comerciante em São Paulo. Autora da frase acima, ela acrescenta que tem grande experiência no sexo casual, mas que, ao contrário de muitos casais, prefere que haja o flerte antes do encontro físico.

“Sem dúvida nenhuma, sexo casual é ótimo e, sempre que pratiquei o swing, a iniciativa partiu de mim. Sinto muito prazer sendo observada, mas no momento estou solteira, então pratico menos do que gostaria porque o legal é justamente trocar e variar”, ela revela. Ela admite que, quando esteve em uma casa de swing acompanhada e um garoto de programa, se desapontou com sua própria reação: “Estava sem parceiro, então contratei um garoto de programa para me acompanhar e transei com mais de um cara naquela noite, mas confesso que não senti prazer algum. Só funciono com uma boa paquera antes e esses lugares são meio escuros”, lamenta.



Ainda assim, F. aponta a falta de envolvimento como o maior benefício dessa prática em que casais ‘emprestam momentaneamente’ seus parceiros para que transem com outra pessoa, geralmente pré-determinada e selecionada em conjunto. É comum rolar sexo entre os quatro participantes, um transando com o par do outro, mas pode acontecer de um querer só olhar, o outro só se masturbar, enfim, nada é obrigatório. “Na troca de casais, as pessoas são muito livres e não existe um modelo de como fazer, é só respeitar a vontade do outro e a sua, essa é a única regra”, conclui F.

A. organiza festas temáticas de troca de casais no Rio de Janeiro e concorda com F.: “A única regra numa balada liberal de swing é respeitar o direito do outro de não fazer nada. Na festa nós usamos o sistema de pulseiras para sinalizar a preferência de cada um. Isso serve para evitar abordagens indesejadas”, esclarece a coordenadora, que já tem uma frase pronta para ‘educar’ os novatos que chegam à balada: “Sexo desejado não significa sexo realizado. Com isso quero explicar que o fato de alguém estar numa balada liberal não significa que tenha direito adquirido de transar com quem quiser. Tem que haver paquera e consentimento total. Nós orientamos a todos os recém-chegados sobre isso e a quantidade de problemas dessa natureza é muito pequena. As mulheres sabem dizer não quando não querem. Mas também quando elas querem...”, diverte-se A..



Para o sexólogo Amaury Mendes Junior, praticar o swing passa longe de infidelidade. “Infidelidade significa trair e o jogo de troca de casais não é considerado em tese como um ato de traição, pois as regras são claras e ninguém pode se considerar enganado. Se em casa cada um transar pensando em outra pessoa, não seria traição? Então por que não ser claro e tentar curtir esta fantasia de maneira que seja possível manter a relação e abrir o jogo de ambos os lados?”, ele questiona. E completa: “Existem muitos casais agindo desta forma. O swing reflete um jeito diferente de encarar o sexo. Sabemos que mesmo um relacionamento sério não barra a imaginação das pessoas e cada um cria inconscientemente uma forma de excitação fantasiosa para incrementar uma noite de amor. Não vejo motivo para o casal não compartilhar essa fantasia”.



Prazer dobrado. Problemas, idem De fato, os números são representativos. À festa semanal carioca que acontece em plena quinta-feira comparecem entre 200 e 400 pessoas. Já uma das casas de swing mais antigas de São Paulo, instalada no bairro de Moema há 13 anos, recebe uma média de 800 pessoas por semana. O gerente de lá, conhecido por ‘G.’, conta que a grande maioria dos frequentadores são casais, mas que mulheres e homens sozinhos aparecem sempre. “São pessoas liberais, para as quais o sexo tem grande importância. No início, a idade dos visitantes era acima de 40 anos, mas hoje em dia é bem variada, com muitos jovens. Uma enorme parte dos clientes é casada, mas há também noivos, namorados e mesmo casais de amigos”, ele conta.



Além de gerente, G. faz o papel de cupido apresentando e aproximando os casais interessados. Ele garante que as mulheres não estão ali só para agradar aos maridos, não. “Hoje, a mulher que frequenta casas de swing sabe separar sexo de afeto e está ali porque também gosta. Talvez no começo do funcionamento da casa, há mais de dez anos, elas fossem mesmo meio a contragosto, mas hoje não”, conclui o gerente.

Na opinião de Cristina Godoy, psicóloga clínica, hoje a mulher já consegue separar amor e sexo. “Porém, quando se trata de swing não falamos de sexo sem compromisso, mas sim de abrir a relação para que novas pessoas possam se aproximar. A independência da mulher fez com que ela pudesse rever valores, inclusive os da relação. Há 30 anos, o maior valor que a sociedade reservava à mulher era o casamento, hoje isso mudou. A mulher já investe sexualmente na relação e, se o parceiro não tiver interesse em cumprir seu papel, a mulher cobrará ou buscará formas de obter satisfação”, avalia a psicóloga.



Ela vai adiante: “A sensação de medo também é excitante em muitos casos, pois libera adrenalina e nosso cérebro interpreta isso como prazer. Numa relação estável e socialmente aceita essa sensação de frio na barriga só existe no começo. Depois que a novidade acaba e a libido do casal provavelmente já está meio em baixa, algumas pessoas terminam a relação, outras buscam incrementá-la”, conclui.

Segundo as entrevistadas, assim como toda experiência sexual, o swing possibilita provar coisas novas e assim ter mais parâmetro para avaliar o que traz prazer e o que não traz sem se preocupar muito com o que o outro pensa de você, se concentrando em seu próprio prazer. “O sexo, tanto praticado quanto presenciado, é muito excitante! Meu pensamento fica todo voltado para aquela cena e cada suspiro ou gemido do outro é um convite ao prazer em conjunto. É como ver um filme pornô, só que bem melhor porque é realista e está ali na sua frente, ao vivo e em cores”, brinca a fisioterapeuta B., outra adepta do troca-troca.



Em turma, sozinha ou com seu parceiro, todo cuidado é pouco ao se aventurar no swing. É claro que não estamos falando só de questões práticas básicas, como o uso do preservativo, mas também de ter tudo muito claro em sua cabeça e/ou muito bem conversado com seu par, pois o estrago pode ser tão grande quanto o prazer. “Creio que um casal que entra no mundo do swing precisa ter um diálogo sincero, muita confiança no outro e um vínculo bem estabelecido. Casais em crise, com uma comunicação deficiente, ou questões pendentes, como insegurança, desconfiança e mágoas passadas dificilmente sairão ilesos. É preciso ter objetivos em comum, muito bem conversados. É um grande engano entrar no swing quando já se tem um problema no casamento, achando que, com a novidade, irá resolvê-lo ou apagá-lo. O ideal é que o casamento esteja fortalecido para aguentar o que o casal vai viver”, alerta a psicóloga.

A lógica do swing

Aos 55 anos, a publicitária curitibana S.* está no terceiro casamento e descobriu com o atual marido a troca de casais, há quase seis anos. Ela conta que sempre tem algum laço de amizade ou afeto com os companheiros de swing, que procura encontrar semanalmente. “Temos um grupo de quatro casais amigos, com uma relação muito estreita e de muito carinho. É um grupo em que todos têm grande afinidade. É uma espécie de namoro entre vários”, ela ri.



Para ela, a lógica do swing é muito simples: se o sexo com uma pessoa certa é gostoso, o sexo com muitas pessoas certas é o paraíso. Por fazer questão de parceiros íntimos do casal, nem ela nem o marido frequentam casas de swing. “Não gostamos de casa de swing porque geralmente o sexo é mecânico, extremamente casual, num clima barulhento. Preferimos nossa casa de campo onde, às vezes, um de nós transa com alguém no quintal enquanto o outro está transando no quarto. Ambos adoramos um relato detalhado e criativo de todos os requintes de prazer que foram usados nas transas com outros. Tem gente que fica chocada com isso, mas na nossa visão o errado é a monogamia. As religiões e a repressão social levaram o ser humano contra o mais gostoso e saudável de sua natureza”, ela critica.



Solange garante que a relação está cada dia melhor, mas alerta que não é receita de felicidade válida para todos os casais. “No nosso caso, estou certa de que estamos chegando ao máximo da felicidade possível para um casal, mas é uma fórmula que não dá certo para todo mundo de jeito nenhum! As pessoas que escolhem o swing para botar uma pimenta na relação ou mesmo ‘brincar com sua resistência’ acabam abandonando e até virando puritanos. Conheço casos de homens que não aguentaram ver suas esposas com outros e pediram o divórcio no mesmo dia. Outros bateram no rapaz que transava com sua mulher. Até houve quem se afastou da vida sexual e caiu na bebida”, conta.



A prática do swing é para qualquer pessoa, não é coisa de atletas sexuais. No entanto, devem ser pessoas abertas e o casal precisa de muita conversa antes da ação para que tudo fique claro e a vontade de arrancar os cabelos (seus ou da outra) não fale mais alto que a curtição de sentir prazer vendo o outro ter prazer. A psicóloga finaliza: “Quem se achou nessa prática é porque já entendeu que o impensável é ser enganado. No swing, a situação de sexo com o outro se dá num ambiente em que tudo acontece às claras, por isso é mais fácil abstrair o ciúme. Nessa hora prevalece o prazer e a fantasia, e o principal são as regras claras. Antes de se adaptar a uma novidade como essa, qualquer casal deve ter bem conversadas suas expectativas e limites em relação ao que estão buscando com a troca de casais”.













Sunday, 25 March 2012

Só o 69 salva!


 O clássico e um monte de outras dicas para apimentar a vida...



Se o seu relacionamento caiu no esquema papai-mamãe, e você tem trocado sexo por brigadeiro de panela, e ele por jogos on-line, com certeza um terceiro elemento chegou por aí: o tédio. Para acabar com este ménage à trois, aposte no 69! Não! Não só na posição!



Mas nas 69 ideias listadas. Umas até manjadas, mas esquecidas no meio da tal rotina. Outras, não tão comuns. As palavras-chave para acabar com a mesmice são: conversar, mudar, experimentar, arriscar, descobrir e surpreender. No final das contas, você vai ver que a coisa não era tão cabeluda quanto parecia, e que a pimenta para o relacionamento é você mesma!

Então, se joga:


1 - Use lingeries diferentes, no modelo, na cor. Faça uma sacolada!

2 - Aposte nos modelos safadinhos. Eles gostam. Fato.



3 - Fale que está vestida de presentinho ou deixe de surpresa.

4 - Deixe o escolher sua lingerie. Vai demorar mais? Vai

5- Fantasias são legais... se existir bom senso!

6 - ”Achava esse negócio de fantasia over. Aí ele veio com uma de colegial e comecei a apostar nisso”. A., 26, publicitária.



7 -  Você conhece o gosto dele. Escolha uma e surpreenda.

8 - Se for um nerd, aposte na princesa Leia de biquíni dourado. Se for geek, na Lara Croft.

9 - Algemas são incríveis! Só não perca a chave!

10 - Não tenha medo de compartilhar suas vontades.



11- Varie a intensidade da luz: da penumbra ao clarão.

12 - Escrevam uma lista de desejos, um top 5, e se encontrem só para fazer isso.

13 - Cumpra todo o top 5. É uma lista sagrada. Se não fizer, dá azar!

14 - No iPhone dá para instalar um aplicativo de vibrador, o MyVibe. É bem light, mesmo porque o iPhone não foi feito para isso, né?

15 - Crie um blog e conte o que fazem entre quatro paredes. Pode ser anônimo. Ou não.

16 - Strip tease na webcam é uma boa.



17 - O lento, olho no olho, é um clássico!

18 - Deem uma de pornstars. Filmem e depois assistam juntos.

19 - Faça um ensaio sensual. Invista na produção e peça para ele fotografar.



20 - Num outro dia, fique você fotografando.

21 - Crie o “dia oficial do sexo oral”.



22 - Isto serve para drive-in também!

23 - Antes de sair pra balada, cheque os motéis por perto e curem a ressaca por lá.

24 - Deixe-o escolher a lingerie. Vai demorar mais? Vai!



25 - Crie um álbum on-line (e privado, por favor!) com fotos mais... sensuais.

26 - Aproveite as baladas com banheiro misto.

27 - E desvende banheiros nunca explorados!



28 - Falando em balada, algumas têm o dark room. Porém, informe-se antes.

29 - Alguns vão ter mais gente entre vocês dois. Outros oferecem cabine.

30 - “Fomos num show e fizemos de conta que a gente não se conhecia. Encarnamos os personagens o resto da noite!”. T., 28, enfermeira.

31 - Encontre-o no horário de almoço para uma rapidinha.



32 - Vá buscá-lo no trabalho e aproveite o escritório. Tenha a certeza de que o chefe não está!

33 - Comida e sexo combinam. Só não vá jogar lasanha em cima do rapaz! Champanhe e chantilly já são bem-vindos!

34 - Aquela ligação inesperada sempre excita

35 -  “Começamos a reservar tempo só para explorar o corpo do outro”. K., 26, atendente.

36 - Encontre-o no horário de almoço para uma rapidinha.

37 - Vá buscá-lo no trabalho e aproveite o escritório!



38 - Abuse de posições diferentes. Não precisa comprar o kama-sutra. O
Google tá aí, gente!

39 - Curta cada posição. Mas não queira fazer tudo de uma só vez, se não vai parecer gincana.

40 - Que tal um ménage?



41 - Se vocês moram juntos, mude o ambiente do quarto.

42 - Levar café na cama, e ficar por lá, é até meio manjado, mas é bom, né?



43 - Tenha criatividade para enfeitar a bandeja. Lembre de tudo que ele ama comer!

44 - Coloque uma música e tire-o para dançar.



45 - Se for lenta, vale dividir os fones de ouvido.

46 - Saia da cama! Use a cozinha, tapete, sofá, mesa de jantar...

47 - E a escada, varanda, rede, piscina...

48 - Tem até a máquina de lavar para os que querem chacoalhar!



49 - Use o carro lá na garagem!

50 - Cordinhas são ótimas. Cuidado com o nó de escoteiro!

51 - Deixe a tensão de lado com uma bela massagem... Com a boca!

52 - Jogue cartas e aposte peças de roupa.



53 - Livros de contos eróticos soltam a imaginação, viu?!

54 - Se você não sabe nem dó ré mi, vá a um videokê e dedique uma canção.

55  - “Olha, um filminho pornô é algo muito bom. Apesar de ter que dar umas pausas!” M., 20, estudante.

56 - Façam um blog ou um tumblr com Desejos e Fantasias...

57 - Marque uma viagem e faça o roteiro com a cara de vocês.

58 - Acorde-o com beijinhos e com “aquela” lingerie.



60 - Apareça de surpresa no meio da noite... sem nada por baixo!

61 - Faça uma depilação diferente. Não precisa ser em formato de coração com os pelos vermelhos, tá?

62 - Mude! Faça uma depilação completa ou assuma os pelos. Tem quem goste.



63 - Depilei tudo e fiz nele também. É uma sensibilidade maior”. G., 27, veterinária.

64 - Se for para o swing, não esqueça de combinar antes o que pode e o que não pode... Toda uma ética.

65 - Não é preciso participar, vocês podem só olhar e serem olhados.

66 - “Gosto de chamar mais gente para a festinha! Antes não era comum, mas agora temos um grupo amigo”. P., 29, empresária.



67 - Uma sex shop não é feita só de consolos de 60 cm. Têm menores, tem gel, tem óleo para massagem...

68 - “Comprei um brinquedinho na sex shop e parei com o preconceito que
eu tinha”. A., 22, estudante.

69 - Nunca se esqueça do conceito, e da posição. Relacionamentos são feitos de dar e receber.














Mulheres de 40 sentem-se mais a vontade para aventuras no sexo ...


O melhor do sexo acontece aos 40, diz pesquisa




Uma pesquisa encomendada pela revista Top Sante concluiu que a melhor fase sexual na vida de uma mulher inicia aos 40 anos. Mais de duas mil mulheres com idade acima dos 40 foram entrevistadas e, embora 80% estejam menos confiantes em relação a seus corpos, mais de 60% preferem o atual desempenho sexual do que aos 20 anos de idade.



As razões listadas pelas quarentonas foram de que os filhos já não moram mais com elas e de que agora se sentem mais libertas para experimentar novas possibilidades que o sexo tem a oferecer.



"A aventura sexual verdadeira começa quando as mulheres já têm maturidade suficiente para desfrutar do próprio corpo e certamente isto acontece aos 40", disse Nicola Down, editor da Top Sante.












Saturday, 24 March 2012

Bate que eu gamo ....


O que há por trás do BDSM e afins....





"Sou sádica, gosto de causar dor e humilhação, tenho meus escravos. Dentre as práticas que mais gosto, posso citar shibari, bondage, spanking, facesitting, asfixia erótica, afogamento, inversão, entre tantas outras coisas. Mas certa vez fiquei tanto tempo sentada no rosto de um parceiro (facesitting) que, quando me levantei, vi que ele estava desacordado. Fiquei apavorada e, tremendo, peguei o telefone para ligar para a emergência. Felizmente ele acordou com dois tapinhas na cara, aí o tesão foi maior ainda, mas essa é uma prática que procuro evitar.”

Se essa declaração chocou ou se você não entendeu metade dos termos, não se preocupe: o sadomasoquismo tem vocabulário próprio e seus praticantes fazem questão de se diferenciar do resto das pessoas, chamadas por eles de ‘baunilhas’ (sabor mais comum de sorvete). Mas, acredite: estas práticas estão mais próximas do que você imagina. Aos 35 anos, a promotora de eventos A., de Salvador, autora da declaração acima, é praticante de BDSM há oito anos. O termo significa Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo e engloba uma gama inimaginavelmente extensa de práticas e intensidades.



“Algumas pessoas se excitam com sadomasoquismo e outras não. Da mesma forma que existem pessoas que curtem sexo anal ou oral e outras não... É tudo uma questão de gosto. E gosto cada um tem o seu”, pondera A. Segundo Mabel Cavalcanti, terapeuta sexual de Brasília, “o sadomasoquismo é um omportamento que se caracteriza pelo prazer/dor ao maltratar e ser maltratado. Isto implica em graus para mais ou para menos, podendo chegar a condições totalmente patológicas”, ela explica.

Encontros de dor e prazer

Os encontros BDSM podem ser como uma válvula de escape para quem não consegue incluir esse estilo em sua rotina. “Infelizmente vivemos em uma sociedade machista e um tanto quanto hipócrita, em que todos têm fantasias sexuais e desejos, mas, por medo e tabus, os escondem debaixo do tapete. Então procuram se realizar às escondidas, para não serem taxados de doentes e tantos outros adjetivos nada agradáveis”, lamenta A., que não se relaciona com quem não compartilhar de suas práticas. “Sou bem resolvida e não estou fazendo nada de errado, mas não me relaciono com quem não goste do jogo, seria hipocrisia de minha parte”.



I., de 38 anos, organiza festas temáticas em clubes BDSM em São Paulo e se diz sádica. “O sadomasoquismo ainda é um assunto pouco comentado. Geralmente quem gosta mantém isso em segredo no trabalho, na família e até com os amigos mais chegados ou esposa/marido. No meu caso, todos os amigos e a família sabem de minhas preferências, só que não mensuram, não imaginam a extensão da coisa. Mas não tenho que contar tudo o que rola nos meus relacionamentos, mesmo porque também não fico perguntando o que meus amigos ou familiares fazem entre quatro paredes”.



Para a terapeuta sexual, todo esse segredo tem um porquê: “Trata-se de algo que beira o limite do desvio social, da parafilia (quando o prazer sexual não se encontra na cópula mas em alguma atividade/objeto paralelo) fugindo assim à relação de amor/prazer que dignifi ca e enobrece a sexualidade humana”, opina.

Geralmente o ato sexual está incluído na prática BDSM, mas, em muitas vezes, apenas por meio da masturbação e não da penetração, já que somente a própria cena ou vestimentas e objetos já bastam para provocar o maior dos tesões nos praticantes. Para quem é submisso, por exemplo, só o fato de estar em uma posição inferior, sendo humilhado, já basta para sentir enorme prazer, não sendo necessária a cópula em si.



Mabel Cavalcanti explica que “existem pessoas que sentem prazer em maltratar animais, monumentos, etc, pelo simples desejo de chamar a atenção por seu poder de destruição, já que se sentem incapazes de aparecer de forma positiva”. A terapeuta sexual acrescenta: “Várias são as causas que podem desencadear esse tipo de conduta. Uma das mais encontradas nos relatos terapêuticos remonta à infância, quando a criança só conseguia a atenção das pessoas amadas através de punições”.

Sexo, poder e humilhação

A comerciante T.*, paulistana de 31 anos, descobriu o universo do ‘bate e apanha’ há quatro anos, apesar de ter se identificado submissa já aos 18. “O sadomasoquismo pode ser válvula de escape, e assim como o sexo, ser usado para aliviar tensões, ser um gosto que o seu inconsciente desenvolveu por conta de algum trauma, abuso ou algo do gênero. Para mim o lado psicológico é mais forte, curto me sentir dominada, preciso de uma pegada mais forte, ser imobilizada. Gosto de certas humilhações, de não ter o controle, e por causa disso me identifiquei como submissa, bondagista”, conta ela, que diz ainda não saber separar as práticas BDSM do sexo: “Eu não consigo separar, mas tenho amigas masoquistas que sentem prazer simplesmente na dor. Então, elas conseguem desvincular o sadomasoquismo do sexo. Eu, particularmente, não. Eu sinto tesão, meu prazer é sexual, o sadomasoquismo, para mim, é como a preliminar do sexo”.



Paulo de Souza é psicólogo clínico e terapeuta de casais na capital paulista e faz a seguinte observação:“Embora os sadomasoquistas considerem-se experts no desempenho sexual e na obtenção de orgasmos, pode-se pensar em sadomasoquismo sem orgasmos, sem uma conotação sexual explícita, se pensarmos na ótica dos fenômenos psíquicos, na adesão ao sofrimento moral ou ao prazer com o controle”.

Para T., a adrenalina de apanhar, ainda que de leve, traz um prazer extra, mas ela costuma ter relacionamentos com ‘baunilhas’ e entende os motivos de tanta curiosidade e desconfi ança em relação às suas preferências: “Ainda existe muito preconceito com relação ao sadomasoquismo. A maior parte das pessoas ainda vê essas práticas como ‘taras’ de pessoas ‘doentes’. Mas o grande problema é a falta de conhecimento sobre o assunto e a repressão sexual que muitas pessoas ainda sofrem ou se impõem”.



O psicólogo vê que os adeptos de comunidades sadomasoquistas repudiam veementemente a associação que muitos leigos fazem de seus hábitos com a violência e descontrole, já que são minuciosos justamente no saber fazer, em como produzir prazer. Repudiam também a associação com a agressão, já que na relação sadomasoquista não existe uma pessoa que impõe à outra sua vontade, ao contrário: quem se submete escolhe se submeter por seu próprio prazer. O prazer é necessariamente consensual e, além disso, existe um código, uma palavra de segurança pré combinada entre os parceiros para que se saiba a hora exata de parar.

“Eu acho que, quando se ouve uma pessoa afirmar que gosta de apanhar até ficar roxa, que adora um chicote, que morre de tesão de levar uma marca com ferro quente, fica difícil dissociar da violência. Um homem que gosta de ser pisado, uma mulher que gosta de ter ganchos enfiados na pele... não tem como culpar as pessoas de acharem o sadomasoquismo um absurdo. Você passa a vida aprendendo a respeitar, a não ferir, a honrar e, de repente fica sabendo que uma pessoa conhecida adora simulação de estupro... É de dar nó na cabeça de qualquer um mesmo. Mas o que os leigos precisam entender é que o BDSM tem como base uma regra simples e funcional, que é a prática ser SSC, ou seja, são, seguro, consensual”, explica T.



O preconceito óbvio Paulo de Souza conclui que a cena de uma pessoa amarrada e levando palmada pode ser vista como excessivamente agressiva e insuportável, independentemente do fato de que quem apanha tenha consentido ou chegado ao orgasmo desta forma. “Os grupos e práticas pouco conhecidas atraem tanto a curiosidade quanto o preconceito. Estigmatizar pode ser até uma estratégia do leigo para evitar a atração que a curiosidade revela. Tem gente que até associa o sadomasoquismo ao uso de drogas ou a seitas obscuras, o que me parece evidentemente um preconceito, porque o movimento e as práticas sadomasoquistas revelam-se muito mais amplos e públicos do que seitas obscuras, e o uso de drogas se dá em qualquer setor da sociedade, em diversos contextos”, avalia o psicólogo.



Depois de se divorciar, a produtora teatral carioca M., de 47 anos, se descobriu sadomasoquista: “Descobri esse mundo BDSM depois que me separei e passei a me conhecer mais, já que era totalmente leiga e crítica como muitos. Pratico a dominação psicológica, spanking (causar a dor com chibatas, chicotes, chinelos), velas e podo (pisar, pular e esfregar os pés na face do parceiro). Sempre que possível, em bares temáticos ou hotéis, com meu namorado. Dentro desse novo mundo eu conheci pessoas amorosas, que se respeitam e se ajudam. Não querem saber da sua classe social ou da sua conta bancária, apenas de você como pessoa. Pelo menos é assim que me sinto nesse meio. Tenho o respeito de todos, mesmo sendo uma pessoa comum e iniciante, alegra-se M., que está no BDSM há um ano.




Com suas experiências, ela diz como interpreta o universo BDSM: “Claro que cada caso é um, mas, de maneira geral, existe muito o lance da busca pelo complemento dentro do BDSM, do seu oposto. Por exemplo: se é um homem rico com um cargo importante, se tem poder, geralmente gosta de ser tratado como um animal, pisado e humilhado; já que ele é, em sua rotina, dominador, acaba tendo a necessidade de ser subestimado na hora do sexo. Uma vez que não consegue isso na vida pessoal, ele encontra no meio BDSM. Não é regra, mas uma situação dessas é comum, sim”.

Para botar fogo na relação

Para quem está pensando em apimentar a relação com brincadeirinhas BDSM, o psicólogo alerta: “Sessões BDSM podem ter toda a formalização de uma cena previamente arranjada e contratada, com requintes de figurino e representação, bem como podem surgir no calor de uma relação sexual sem significar nada mais do que o prazer daquele momento. O acesso do casal às práticas lúdicas sadomasoquistas, de forma consensual, pode trazer um grande incremento erótico e cumplicidade para o casal. Mas se um dos dois se entusiasmar com as práticas sadomasoquistas e o outro não, pode abrir uma enorme fissura na vida afetiva e sexual do casal”.


Baunilha, dominadora, submissa, curiosa, sádica ou masoquista, o trato é: se são dois adultos lúcidos em busca de seu prazer, então os atos são válidos. Não importa quem manda e quem obedece. Outra coisinha: as pessoas mistificam muito o sadomasoquismo pelo seu extremo: dor, chibatadas, chicotadas e humilhação, mas no universo do BDSM cabe muita coisa, como os fetiches por roupas e sapatos (a clássica visão da dominadora de roupa de couro e salto alto), assim como coisas mais simples, como a privação de sentidos, que à primeira vista pode soar forte, mas, se pararmos para pensar, uma venda é privação de sentido, não é assustador e pode ser muito prazeroso.


“Eu acho que se uma pessoa sabe que dentro desse universo existem coisas simples como amarrar o parceiro na cama e explorar o corpo dele, o uso da venda, do gelo... talvez houvesse um pouco menos de misticismo e de repulsa em torno do sadomasoquismo”, complementa T.