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Monday, 9 July 2012

Você acha que sabe tudo sobre sexo?


Você acha que sabe tudo sobre sexo?


sexualidade, dúvidas sobre o sexo, masturbação, pontos de excitação, sexo oral, estimulação sexual, dicas para o sexo - Desejos e Fantasias de Casal




É com essa pergunta que o novo livro “Prazer em Conhecer” (Editora Alaúde) provoca o leitor logo de cara. Em 144 páginas, a especialista em uroginecologia e professora de sexualidade Débora Pádua fala sobre temas polêmicos e dúvidas que ainda perturbam homens e mulheres. Na entrevista que segue, a expert responde questões que persistem por décadas.

REVISTA: Por que ainda é tão difícil para a mulher assumir que se masturba? Para elas, falar sobre o assunto pode ser constrangedor até mesmo entre amigas. Os homens, por outro lado, costumam fazer piadas sobre o tema.
Débora Pádua: A mulher fica imaginando o que o homem vai pensar dela, principalmente as mais novas. Esse comportamento é muito influenciado pela maneira como ela foi criada e pela formação sobre sexo. Eu tive uma paciente de 76 anos que me disse: “Você tirou um peso muito grande das minhas costas. Eu fiz isso por toda a vida e me sentia muito culpada”. No homem tudo é externo na sexualidade, já na mulher é tudo para dentro.

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REVISTA: Você diz que o clitóris é pouco conhecido por homens e mulheres. Como reverter isso?
Débora Pádua: Por incrível que pareça, tem mulher que não sabe o que é clitóris, a localização dele e muito menos a dimensão, qual o tamanho real. Há quem ache que é só aquela pontinha que a gente consegue ver, mas ele é muito maior. É preciso tocá-lo. Eu aconselho a olhar a vagina no espelhinho, como qualquer outra parte do corpo. Alguém passa dois meses sem olhar para a própria boca?

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REVISTA: O tempo passa, mas as dúvidas persistem: o ponto G e a ejaculação feminina ainda são questões que geram dúvidas. O que definitivamente devemos pensar sobre esses dois assuntos?
Débora Pádua: Inúmeras pesquisas defendem as duas posições, algumas juram que o ponto G não existe, outras afirmam que ele existe sim. Contudo, o que posso afirmar vem dos relatos que eu ouço das minhas alunas. O ponto G provavelmente existe. Ele é simplesmente um lugar dentro do canal vaginal um pouco mais sensível, mais enervado, e por isso provoca mais prazer quando tocado. Mas isso não significa que todas as mulheres vão reagir da mesma maneira ou que são defeituosas por não tê-lo ou percebê-lo. Já sobre a ejaculação feminina, de cada 20 mulheres presentes nas minhas aulas, pelo menos duas ou três delas já tiveram, daqueles que chegam a molhar a cama. Quando elas falam da ejaculação, o relato é muito diferente de um orgasmo vaginal ou clitoriano, a sensação é que vai sair alguma coisa, uma expulsão. Não é uma sensação de contração. Mas, claro, ainda há muita controvérsia sobre o assunto.

REVISTA: O sexo oral ainda suscita muitas dúvidas na cabeça de ambos os sexos. Sob a influência dos filmes eróticos, homens usam a língua de maneira rápida e pouco estimulante. Já as mulheres muitas vezes não relaxam e são mecânicas na hora de fazê-lo.
Débora Pádua: Em primeiro lugar, a pessoa tem que estar com vontade. Por exemplo, um homem que se incomoda com pelos pubianos não vai fazer sexo oral com vontade em uma mulher que não se depila. Já a mulher, quando ela vai fazer nele com a expectativa de ter uma performance de filme pornô, tende a dar errado – aquela coisa de colocar o pênis imenso todo na boca. Tem mulher que não gosta de olhar para o parceiro na hora que está fazendo o sexo oral, mas é bom olhar porque você percebe as reações, se ele está gostando ou não. A brincadeirinha de colocar mel ou leite condensado estimula o casal, o doce vai escorrendo e os movimentos são inesperados, explora movimentos diferentes.

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REVISTA: E possível ter orgasmo apenas com o sexo anal ou a mulher tem também que estimular o clitóris quando está sendo penetrada no ânus?
Débora Pádua: É possível ter orgasmo anal sim, segundo relatos. Mas na literatura médica ainda não há nada sobre isso. A maioria dos especialistas, inclusive, nega que exista. Contudo, uma menor parcela de especialistas afirma que é possível sim ter um orgasmo anal – alguns falam até em orgasmo mamilar, ou seja, só com estímulos nos mamilos. Mas não tenha dúvidas que com o estímulo clitoriano fica muito mais fácil.

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REVISTA: E com relação aos homens, quais preocupações estão no topo da lista deles?
Débora Pádua: Eles querem saber se existe uma forma de perceber que a mulher está tendo um orgasmo. Eu digo que até existe, mas na hora do sexo são tantos detalhes que você não vai conseguir dar atenção. Porque a mulher no orgasmo fica mais ofegante e tem contrações da musculatura perineal. Mas se você quer saber mesmo se ela está tendo prazer, preste atenção nela já nos primeiros minutos da relação. A mulher consegue ter intensidade durante todo o tempo, não é como o homem que tem um pico máximo com a ejaculação. Eles sempre ficam esperado que ela solte aquele “ahaaa” no final.

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Monday, 9 April 2012

Sexo: aparelhos, truques e mitos desvendados...


Da pedra hume às bombas penianas, vamos acabar com as suas dúvidas já!




Dúvidas sobre sexo; quem não tem? Reunimos cinco “cabeludas” e respondemos tudo de uma vez só. Com consultoria de Albertina Duarte Takiuti, ginecologista e coordenadora do Programa de Saúde Integral do Adolescente da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Sylvia Faria Marzano, médica urologista, e Tatiana Presser, psicóloga e consultora sexual.

Pedra hume funciona para contrair a vagina?
Tão estranho quanto popular, esse “truque” não é novo. A ginecologista Albertina Duarte Takiuti fala sobre a origem da crença: “Durante muito tempo, quando a virgindade ainda era uma cobrança, muitas mulheres usavam pedra hume na vagina, além de determinadas ervas. A ideia era deixar a vagina mais ressecada, endurecida e apertada para que seus maridos não soubessem que elas não eram mais virgens. Também era comum o uso da substância depois do parto normal”, conta.



A prática, contudo, é prejudicial à saúde. O uso da substância – muitas vezes em pó – altera o PH da região íntima, prejudica a lubrificação natural e deixa a mulher mais vulnerável a infecções. Em alguns casos, pode até causar queimaduras. “Já atendi mulheres que tinham corrimento, escaras e feridas. Depois de muito tempo de tratamento elas acabavam contando: ‘costumo usar pedra hume porque meu marido diz que eu fico mais apertada’”.

“Buscar o prazer é superimportante, mas é preciso que a mulher não se violente para esse tipo de situação”, completa a médica. Além disso, existem alternativas saudáveis que tonificam a musculatura da vagina, como o pompoarismo.

2. Bombas penianas aumentam o pênis?
Os anúncios desses produtos impressionam: “Veja o seu pênis crescer, expandir e engrossar”. Mas o efeito real das chamadas bombas penianas é apenas momentâneo. Pior que isso, o uso contínuo pode ser perigoso e com efeitos irreversíveis.

Vendidas em lojas de produtos adultos, as bombas promovem um tipo de ereção passiva ao forçar a irrigação de sangue no pênis por meio de vácuo. As bombas mais caras e “modernas” – a unidade chega facilmente a custar R$500 – prometem expandir o corpo cavernoso do pênis, e, assim, torná-lo maior e mais grosso permanentemente.



Não há estudos que comprovem a eficácia do método, e também existem riscos. “Isso é bem perigoso, o homem coloca um anel de borracha na base do pênis (que fica envolto por um cilindro) e bombeia o aparelho, que vai prendendo o sangue na região , e ele não tem como esvaziá-lo sem a válvula. Além disso, essa ereção mantém o pênis em baixa temperatura, que só pode ser mantida por até 30 minutos, para que não ocorram lesões penianas com a coagulação do sangue”. Em poucos casos o acessório é válido para aqueles homens que sofrem de disfunção erétil, mas com orientação e supervisão médica.

3. Pomadas anestésicas eliminam a dor do sexo anal?
A questão vai além da pomada simplesmente funcionar ou não. Com o ânus anestesiado, a mulher perde a sensibilidade, e, consequentemente, o controle sobre o seu próprio corpo. Dessa forma, ela pode ser ferida e só perceber depois.



Além disso, o sexo deve ser prazeroso para os dois, e não só para ele. “Precisa existir o diálogo sexual”, ensina Albertina Duarte Takiuti, que orienta conversas sinceras sobre o assunto e, se for o caso, muita delicadeza por parte do homem.

Para maior conforto da mulher, os géis lubrificantes podem ser usados – e é melhor não inventar: prefira os antialérgicos à base de água.

4. Jurubeba e catuaba dão disposição sexual?
Esses ingredientes até podem estimular a vontade sexual, mas de forma indireta. “Eles agem como energéticos, que podem aumentar a disposição”, explica a urologista Sylvia Marzano. Contudo, relacionar jurubeba e catuaba diretamente com sexo é um exagero – a pessoa pode ficar mais disposta fisicamente e sem desejo sexual, por exemplo.



De acordo com a psicóloga e consultora sexual Tatiana Presser, a atitude dos pares é mais eficiente do que esses recursos “milagrosos”, que provavelmente se valem do efeito placebo. A especialista explica ainda que, em cinco anos, a frequência sexual do casal cai em até 50%. Por conta da rotina e com o passar do tempo, ela afirma que o sistema de motivação – gerenciado principalmente pela dopamina – acaba respondendo menos, e a vida sexual fica preguiçosa. “O segredo é a mudança. A atitude da pessoa tem que se tornar diferente”, diz. Dessa forma, pequenos atos fariam a dopamina “acordar” novamente em algum tempo, sem mágica.


5. Vibrador alarga a vagina?
Se partirmos do pressuposto de que o vibrador apenas imita o que faz o sexo, então temos essa resposta de maneira bem clara: não, o vibrador não alarga a vagina. Mas, então, por que existem esses mitos? “Antigamente diziam que a masturbação alargava a vagina. Uma lenda para a mulher se sentir culpada”, explica Albertina.



Muito tempo passou e hoje boa parte das mulheres ainda não conhece o próprio corpo. “A mulher estimulada fica mais lubrificada, então ela vai ter a sensação de que está mais alargada, e muitas vezes acaba não se reconhecendo”. Vale lembrar que a vagina é elástica, e quando estimulada adequadamente, se expande.